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shutterstock_161102885Na mitologia grega, há uma cena em que Dédalo e seu filho Ícaro se veem presos pelo rei Minos em um labirinto, que eles mesmos haviam construído, para que o rei pudesse aprisionar o Minotauro, um monstro com corpo de homem e cabeça de touro. Após o Minotauro ter sido morto por Teseu, eles foram colocados ali. Na tentativa de fugir desse labirinto, Dédalo constrói asas a partir de cera de mel de abelhas e penas de gaivota, para que ele e seu filho pudessem sair dali. Antes de saírem voando, Dédalo diz a Ícaro que não voe muito alto para que o calor do sol não derreta a cera que prende suas asas e, também, que não voe muito baixo, para que a umidade do mar não pese sobre elas. O fato é que Ícaro se empolga com o voo, aproxima-se do sol e morre ao cair no mar Egeu. Essa história triste nos faz pensar na sabedoria de se adotar o que Buda chamou de caminho do meio. Esse texto é sobre esse voo empolgado, ascendente e rápido, que alçamos muitas vezes ao entrarmos em um relacionamento, desprezando o calor exagerado do sol e reunindo os pedaços do que restou ao final da empreitada.

É muito comum ouvirmos pessoas dizerem que os opostos se atraem e que essa é a receita para uma boa união. A verdade é que, apesar de essa história ter um fundo de verdade, a coisa não é tão simples assim. Do ponto de vista científico, o que se verifica é que similaridades ou diferenças em demasia podem ser prejudiciais para a relação.

Imaginemos a situação de um casal de namorados, em que ele adora campo, mato, fazer trilhas, etc e ela adora grandes centros urbanos, shopping centers, etc. Na fase da paixão, possivelmente, essas diferenças radicais entre os dois podem se transformar em curiosidade um pelo outro, trazendo maior excitação para a relação. Ele descobre um mundo novo, com teatros, cinemas, ruas movimentadas, enquanto que ela se encanta com a beleza e a perfeição da natureza, assim como com as pessoas e lugares novos que conhece. Quanta aventura!

Pois bem, quando se casam, as diferenças radicais que, no início, geravam excitação, ao longo do tempo, transformam-se nos motivos da separação. Ele passa a perguntar: “mas shopping de novo hoje? Vamos subir andando o morro da Urca?”. E ela diz: “Trilha de novo? Não aguento mais. Eu achei que você gostasse de ir ao shopping comigo. Quanta decepção!”

Pois é, é isso que normalmente acontece nesses casos. Já quando os membros do casal são mais parecidos do que diferentes, eles tenderão a querer coisas parecidas e isso irá, via de regra, facilitar a convivência dos dois em longo prazo, reduzindo o número de atritos e fortalecendo o vínculo afetivo. Após anos de convivência, ela poderá dizer “Eu queria tanto ir ao teatro nesse próximo sábado. Você quer ir comigo?” Ele: “Sim, faz tempo que não vamos. Qual a peça que está passando?”. É importante lembrar que nem só de similaridades vive um casal. É preciso que haja algumas, mas não tantas, diferenças, que servirão de tempero, para trazer alguns sabores diferentes para a relação. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar.

Esse é um texto meramente pedagógico e não tem o objetivo de esgotar o assunto ou substituir consulta por profissional especializado. Caso você tenha problemas em sua vida conjugal, sugiro procurar a ajuda de um psicoterapeuta que tenha conhecimentos teóricos e experiência prática na área.

Texto de autoria do Psicólogo Alexandro Paiva.

Psicólogo Clínico e Psicoterapeuta Sexual (CRP 06/118772) com experiência no atendimento de clientes brasileiros e estrangeiros adultos (individual e casal), nas línguas inglesa e portuguesa. Especialista em Terapia Comportamental Cognitiva em Saúde Mental pelo Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (AMBAN IPq HC FMUSP) e Especializando em Psicoterapia com Enfoque na Sexualidade pelo Instituto Paulista de Sexualidade (INPASEX). Membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC). Especialista em Língua Inglesa: Metodologia da Tradução pela FAFIRE, tendo atuado como Professor de Língua Inglesa por cerca de 10 anos (Brasil e China) e convivido com pessoas de diferentes culturas, mantém o PsycBlog. Trata-se de um Blog com Recursos Psicoeducacionais nas áreas da Psicologia e da Sexualidade. Interesses principais incluem Psicologia, Sexualidade, Tradução, Línguas Estrangeiras, Viagens e Fotografia.

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